domingo, 11 de setembro de 2016

PROPOSTA DE PADRONIZAÇÃO DE EQUIPAMENTOS HOSPITALARES E RECIPIENTES DE MEDICAMENTOS

PROPOSTA DE PADRONIZAÇÃO DE EQUIPAMENTOS HOSPITALARES.

1-Via endovenosa de medicação: conexões próprias com medidas diferentes das demais vias, nos frascos, no equipo, nos cateteres, nas torneiras, nos extensores intermediários, nas agulhas e nas seringas. A medida atual de conexão deve ser mantida para essa via. Pois, as seringas continuarão sendo usadas para conectar a outros equipamentos que não necessitam de alterações como é o caso do balão da cânula de traqueostomia, do cateter vesical de demora e das agulhas para coletas de sangue. A variedade da capacidade cúbica das mesmas deve ser mantida para essa via.
O equipo apropriado para essa via deve continuar sendo usado para conectar ao cateter vesical de três vias.
2-Via endovenosa para hemoderivados: conexões próprias com medidas diferentes das outras vias, nas bolsas, no equipo, nos cateteres, nas torneiras, nas agulhas e nas seringas que deverão ter capacidade cúbica para 10 mL. Específicas para desobstruções.
Hemoderivados não podem ser infundidos na veia junto com outras medicações. Normalmente quando um profissional vai realizar esse procedimento é preciso fazer uma nova punção venosa mesmo quando o paciente já está com um acesso venoso. Ou porque está recebendo vários medicamentos ao mesmo tempo ou porque precisa de uma veia de maior calibre para receber o hemoderivado. Portanto, essa via deve ser separada.
3- Via gástrica e entérica: conexões próprias com medidas diferentes das outras vias, nos frascos nas bolsas, nas seringas, no equipo e nos cateteres.
Havendo a separação das vias não é necessário fabricar uma grande variedade de seringas com capacidade cúbica diferente para cada uma, é preciso avaliar a função das mesmas em cada via. No caso da via gástrica e entérica a seringa é necessária para injetar comprimidos dissolvidos, lavar o interior do cateter para evitar entupimentos e para desobstruir. As seringas menores têm maior capacidade de pressão em casos de desobstruções, porém as experiências do dia a dia mostram que quando uma seringa de 20 mL ou de 10 mL não desobstrui um cateter entérico outras de capacidade cúbica menor também não o faz. Portanto, como para as outras funções são necessários entre 10 e 20 mL de líquido, as seringas devem ter essas capacidades.
4-Via parenteral para dieta: conexões próprias com medidas diferentes das demais vias, nos frascos ou bolsas, no equipo, nos cateteres, nas agulhas e seringas. A nutrição parenteral não é muito comum. Portanto para essa via talvez seja interessante introduzir o uso de seringas com capacidade para 10 mL e agulhas que possam ser esterilizadas após a utilização para serem reutilizadas.
5-Via retal: conexões próprias com medidas diferentes das demais vias, nos frascos, no equipo e nos cateteres.
6- Derivação ventricular externa (DVE) e derivação lombar externa (DLE): modificação das torneiras existentes nestes sistemas para não coincidir com as torneiras da via endovenosa e fabricação de seringas e agulhas para o padrão.
Tanto o sistema de derivação ventricular externa quanto o de derivação lombar externa são equipados com dois recipientes para receber o material biológico proveniente do corpo do paciente. Quando junta uma determinada quantidade de material no primeiro recipiente, o profissional transfere o conteúdo para o segundo recipiente que tem maior capacidade cúbica, através de uma extensão que liga os mesmos para deixar o primeiro recipiente livre para receber mais material se necessário. A extensão localizada entre o primeiro e o segundo recipiente deve ter suas medidas alargadas. Pois, é comum o entupimento da mesma causando transtornos para a enfermagem.
7-Via inalatória: extensões com conexões próprias e medidas diferentes das outras vias.
Atualmente as extensões dos inaladores conhecidas como “chicote” podem ser conectadas perfeitamente nos acessos venosos. Não há razão técnica alguma relacionada ao trabalho da enfermagem para esses equipamentos serem construídos dessa maneira. A conexão não pode ocorrer acidentalmente. Uma vez que, o gás oxigênio não deve ser injetado direto na veia.
8- Cateteres para diálise também devem ser padronizados.
9- Definir uma altura padrão para macas e leitos que não possuam dispositivos de regulagem de altura. Pois, transferir um paciente de um leito que tem uma determinada altura para uma maca mais alta força o trabalhador a erguer o peso com a sua coluna vertebral curvada. Todas as macas e leitos de qualquer hospital deve ter a mesma altura porque é muito comum a transferência de um paciente de uma instituição para outra e dentro de cada hospital transferir pacientes da maca para o leito e ao contrário são procedimentos rotineiros.
Não tenho dúvida de que se for feito uma pesquisa sobre quais são as doenças que mais atinge os profissionais da enfermagem, o resultado será problemas: emocionais, na coluna e articulações dos membros superiores.

PROPOSTA DE PADRONIZAÇÃO DE RECIPIENTES DE MEDICAMENTOS.

1-Todo medicamento endovenoso que não pode ser administrado em quantidade de solução inferior a 20 mL, deve ser dissolvido pelo laboratório responsável e colocado em frasco com conexão padrão para a via endovenosa de medicação. Se houver alguma razão química contrária, deve-se montar um pacote contendo um frasco do medicamento, uma bolsa com a conexão padrão contendo a solução em quantidade ideal. Existem no mercado, bolsas de solução com conexão para frascos de solutos, que dispensam o uso de seringas e agulhas na diluição do medicamento e com conexão para o equipo. Esse modelo de bolsa deve ser escolhido porque é econômico, evita acidentes com agulhas e contaminação do medicamento.
2- O uso de buretas para medicação deve ser abolido porque existem vários problemas com essa utilização: o profissional pode esquecer-se de fazer a desinfecção do local de injeção do medicamento no recipiente, de marcar a hora do início da utilização, a extensão do equipo que encaixa no frasco de soro normalmente é muito curta e não permite alcançar outro gancho no suporte de soro. Ao manusear apressadamente uma seringa com agulha conectada, no momento de injetar a medicação na bureta, no alto, próximo de um paciente, o trabalhador pode deixar escapar das mãos e provocar um acidente. Além de tudo isso, se o item número 1 desta proposta for aprovado, não será mais necessária essa utilização porque a função da bureta é receber quantidade fracionada da solução contida em um frasco para diluir medicamentos.
3- Medicamentos como cloreto de potássio 19,1%, que são exclusivos para ser colocados nos frascos de soro, devem ser levados aos hospitais em seringas graduadas sem conexão para agulha ou qualquer via, apenas com um bico para injetar o medicamento no frasco. Atualmente esses medicamentos podem ser confundidos com água destilada e cloreto de sódio 0,9%, pois, todos são colocados em ampolas de 10 mL.
4- Solução de glicose em concentração superior a 5%, apenas deve ser colocada em ampolas de 10 mL para evitar o risco de superdose.
5- Medicamentos que não podem ser ingeridos, inalados ou colocados nos olhos como nitrato de prata na concentração de 50%, não devem ser acondicionados em frascos que contenham conta-gotas. O ideal é transformá-los em pomadas ou colocar em fracos com medidores específicos.
6- As cartelas de comprimidos devem ser picotadas e cada comprimido deve ser identificado com o nome genérico do medicamento para facilitar o trabalho da enfermagem. Atualmente muitos comprimidos são colocados em cartelas com apenas uma identificação, normalmente em destaque o nome comercial que pode mudar com frequência nos hospitais. Isso obriga os trabalhadores dos hospitais a cotarem as cartelas e fazer a identificação com etiquetas, então alguns problemas ocorrem: a etiqueta pode se desprender deixando o comprimido sem identificação. Nesse caso o mesmo é descartado causando prejuízo, se a etiqueta for colada na parte do invólucro do comprimido que é rompida para a retirada do mesmo, torna esse procedimento mais difícil.
Um problema mais grave é a possibilidade de ocorrer troca dos nomes dos comprimidos durante a identificação com etiquetas. É preciso entender que o trabalho dentro de um hospital é bem diferente do trabalho em um laboratório. No hospital a quantidade de trabalho é determinada pela alta e inconstante quantidade de pacientes que o procura e pela complexidade dos casos. Frequentemente é possível observar uma situação tumultuada. Isso causa dificuldade para fazer previsão e organizar as tarefas.
7- Medicamentos exclusivos para via intramuscular devem ser levados aos hospitais em seringas com agulhas fixas ou em pacotes contendo o soluto, o solvente, seringas e agulhas específicas para essa via.
Os medicamentos para a via subcutânea que têm doses usuais definidas também devem ser levados aos hospitais nas seringas com as agulhas fixadas. Isso, além de evitar acidentes diminui a manipulação do medicamento dentro do hospital e consequentemente o risco de contaminação por agentes infecciosos.
É necessário manter seringas de um mL para insulina disponível nos hospitais pelo fato de haver uma variedade de dose usual muito grande. Mas, o ideal é que as seringas sejam vendidas com as agulhas fixadas.
8- Frascos de medicamentos de uso tópico exclusivo como vaselina, de produtos de limpeza, de laxantes orais a base de óleo e xaropes não podem ter possibilidade de conexão com equipo. As tampas dos mesmos devem ser rígidas.
9- Definir um tamanho mínimo para a fonte da escrita utilizada para identificar medicamentos. Existem medicamentos no mercado identificados com letras tão miúdas que são de difícil visualização, mesmo para quem tem boa visão.
10- Disponibilizar medicamentos em doses apropriadas para recém-nascidos a fim de evitar o método de fracionamento com a diluição para diminuir a manipulação e evitar erros de cálculos que podem resultar em superdose.
11- Hospitais não devem manter equipes específicas para diluição de medicamentos. Isso deve ser feito pelo profissional que vai administrar, uma vez que, o mesmo é responsável pela medicação. Ninguém deve ser obrigado a fazer infusão de medicamentos diluídos por outros profissionais.
É muito fácil dizer que não se pode errar ao cuidar de uma vida humana e que nada justifica uma falha, sobretudo, quando quem diz não é quem o faz, é cômodo fingir que as condições de trabalho são boas e que os dirigentes do sistema estão trabalhando para melhorar ainda mais, é confortável cobrar eficiência de um trabalhador sem querer saber das dificuldades como se dissesse simplesmente: “se vira”. Porém, é difícil trabalhar sob pressão e ao mesmo tempo ter inúmeras possibilidades de falhar.  


EJIVALDO DO ESPÍRITO SANTO

sábado, 15 de novembro de 2014