sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

CHECKLIST NÃO VAI IMPEDIR ACIDENTES EM HOSPITAIS
A palavra “checklist”, do idioma inglês, pode ser traduzida para português como: lista de verificação. Foi escolhida para ser o nome de um programa que visa eliminar a ocorrência de acidentes em cirurgias. Está sendo implantado em hospitais, e, é colocado como uma grande solução. Na verdade não tem praticamente nada de inovador, é simplesmente uma lista de coisas a ser conferida, uma sistematização de verificação que os profissionais da enfermagem e médicos devem cumprir para garantir que a equipe opere o paciente certo no local certo do corpo do mesmo e da forma correta. É a chamada: cirurgia segura. A grande pergunta é: desde quando alguém em plena consciência acreditou que é seguro realizar cirurgias ou qualquer outro procedimento dentro de um hospital sem checar? O “Checklist” é só mais um protocolo que resguarda as instituições e coloca todo peso da responsabilidade sobre os profissionais, é como se dissesse assim: vocês não estão fazendo certo. Façam certo! Na verdade, os problemas são outros. Os protocolos de atendimento sempre existiram, se é possível colocar em prática e se resolve o problema é outra história. Alguns são até cômicos. Por exemplo: um médico escrever na perna esquerda de um paciente a letra “E” na perna direita a letra “D”. Isso é uma mediada para evitar que se opere a perna errada. Mas, se um profissional é capaz de operar a perna errada, o que o impede de escrever a letra “D” na perna esquerda e a letra “E” na direita?
Pacientes internados estão usando atualmente três pulseiras: uma branca com o nome escrito, uma amarela para indicar risco de queda e uma vermelha para indicar alergia a algum medicamento. Detalhe: todo mundo tem algum risco de queda e as instituições tendem a colocar pulseiras amarela em todos pacientes, se cair é culpa dos profissionais, foram orientados, foi sinalizado, a instituição fez a sua parte. Esse é o intuito. Quanto à pulseira vermelha, se eu vou até o quarto de um paciente para medicá-lo e o encontro usando a pulseira vermelha, sou obrigado a voltar e descobrir de qual medicação se trata. É mais fácil fazer o que há muito tempo é de costume: escrever em destaque na prescrição médica o nome do medicamento o qual o paciente é alérgico. Pacientes confusos arrebentam as pulseiras, elas ficam sujas, adivinha quem tem que colocar e trocar as pulseiras! A enfermagem. Muitas vezes, certos protocolos, a sistematização, só servem para gerar mais trabalho e confusão.
Falta de pessoal e, principalmente, salários baixos, isso sim, é um problema grave. Muito se fala na redução da jornada de trabalho da enfermagem de quarenta para trinta horas semanais, o que muita gente não sabe é que trinta horas semanais significa sessenta horas semanais, porque os trabalhadores sempre têm dois empregos por causa do salário baixo. Tem pessoas que trabalham em dois empregos e ainda faz plantão extra. Sessenta horas semanais é tolerável. Mas, setenta horas, oitenta horas, trabalhar em dois empregos e ainda fazer plantão extra é um absurdo.
Outro problema: é necessário um pouco mais de racionalidade na produção de equipamentos hospitalares. Os famosos casos de dieta na veia são mais antigos do que se possa imaginar. Então, resolveram padronizar a cor do equipo da dieta. Este passou a ser azul para diferenciar do equipo de medicação e evitar que a dieta fosse conectada na veia do paciente, Porem, seleção de cores é algo feito racionalmente. Erros com equipamentos em hospitais são atos falhos provocados pelo cansaço, estresse e falta de atenção. Atos falhos são irracionais. Por isso. Os erros continuaram ocorrendo. Coincidência ou não, depois que publiquei no Blog Reage Enfermagem, o projeto de vias fechadas, no qual, nenhuma via de acesso ao corpo de um paciente deve ter a possibilidade de se cruzar com outra via, ou seja, todas as vias devem ter medidas e conexões diferentes; mudaram as conexões do equipo da dieta, colocaram algumas adaptações, mas, ainda não é o que está no projeto, ainda há possibilidade de falhas. Além disso, a ideia é que haja uma padronização da produção dos equipamentos, com relação às medidas das conexões para todos os fabricantes e que isso seja um padrão em qualquer hospital.
Quando se idealiza uma solução para um grande problema é preciso pensar em eventuais problemas que a solução encontrada pode causar e também se não é apenas uma solução aparente.
Não há regulagem de altura em todas as macas e leitos existentes nos hospitais, em muitas ocasiões, os profissionais são obrigados a erguer um paciente pesado de um equipamento para outro com diferença muito grande de altura. É normal um trabalhador erguer peso com sua coluna vertebral curvada? Que tal usar um pouco mais a racionalidade e escolher uma altura padrão para macas e leitos que não têm regulagem eletrônica ou mecânica de altura? Isso deveria ser um padrão único, pois, é comum a remoção de pacientes de um hospital para outro. Com certeza facilitaria a vida dos trabalhadores.

EJIVALDO DO ESPÍRITO SANTO